Olho para a cena de violência da polícia militar contra os professores em greve e concluo: Realmente o momento é crítico!
Não quero aqui criar um discurso político partidário (o qual eu respeito), nem pretendo expor uma opinião como sendo de apoio absoluto a forma pela qual o movimento reivindicatório se organizou, pois estaria me contrapondo às minhas próprias posições sobre o mesmo, porém o que me chama a atenção é a total perda dos valores sociais que balizam uma sociedade que se pretende justa, igualitária em seus direitos, e principalmente, que seja voltada para evolução da nossa raça humana, tanto em termos econômicos, quanto a nível moral, ético e espiritual.
Por acaso os senhores que sustentam o cacetete deixam de pertencer a raça humana no momento em que estão exercendo sua profissão?
Como esses policiais conseguem deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz depois de agredirem profissionais que se organizam em um movimento pacífico e garantido pela nossa constituição, e que tem como objetivo maior reivindicar melhores condições de trabalho, que se atendidas irão beneficiar diretamente os filhos destes mesmos policiais, que estudam em escolas públicas, uma vez que a remuneração desta classe profissional é tão defasada quanto a dos professores?
Que sociedade é esta que ao presenciar estes fatos sequer se sensibiliza e muitas vezes até mesmo os apóia, de forma velada, sendo a passividade e omissão, provas incontestes da posição em que se colocam neste conluio?
A Lei de causa e efeito determina que todos os efeitos que experienciamos são produtos de ações (omissão e passividade enquadram-se aqui), intenções e desejos que produzimos cotidianamente. Este fato posiciona toda a sociedade como responsável pelas mazelas que nos aflige.
E quais seriam estas mazelas? Quais os problemas que estamos vivenciando e que somos responsáveis?
A resposta é simples: Tudo aquilo que nos prejudica, nos viola, nos reprime, nos oprime, nos coloca em situação de miséria e de falta de infraestrutura.
A saúde está um caos, a culpa é nossa. A educação sucateada, deturpada e abandonada, a culpa é da sociedade. A violência atinge níveis incontroláveis, a culpa é só nossa.
Uma sociedade que culturalmente e historicamente especializou-se em colocar-se na posição de vitima é uma sociedade omissa, passiva e dominada. Nunca será respeitada, pois nunca se fará respeitar.
A única forma de reverter este quadro é por meio do combate maciço da ignorância - que paralisa as pessoas e as tornam subjugadas - com uma educação de qualidade, com estruturas adequadas às necessidades atuais, com professores valorizados e que tenham condições de se atualizarem permanentemente, para melhor atender, formar e promover um futuro melhor para seus alunos.
O conhecimento eleva, transcende e liberta. Uma sociedade culta é uma sociedade ativa, capaz de protagonizar sua evolução. Uma sociedade culta é capaz de escolher seus representantes por meio de critérios sadios, justos e sérios.
Certamente o respeito de um governante à sua população é diretamente proporcional ao nível cultural da mesma. Mesmo porque, uma sociedade crítica e ética jamais elegeria representantes incompetentes, que não os respeitassem e que não trabalhassem em benefício de todos.
Neste contexto, a Educação e os profissionais que neste ramo exercem seu compromisso profissional, deveriam ser extremamente valorizados, não pelos políticos de hoje - tão interessados em promover a ignorância social, mas sim pela sociedade, tão sedenta de melhorias básicas.
O apoio social à causa educacional obrigaria o governo a agir qualitativamente na educação. O efeito produzido seria a formação de uma sociedade cada vez mais culta, crítica e pró-ativa, que retroalimentaria este ciclo. Quanto mais a população se intelectualiza, mais ela se torna consciente e responsável, portanto, maior o critério de escolha de seus representantes políticos.
Enquanto a sociedade não se posicionar ativamente a favor de uma educação de qualidade estaremos nas mãos de políticos inescrupulosos, que demonstram o total descaso com este segmento profissional e principalmente com o ser humano, afinal eu me questiono:
Que País é este onde professores são agredidos por policiais e bandidos são protegidos pelos órgãos de defesa dos direitos Humanos?