sábado, 8 de março de 2014

BUSCA

"Muitas vezes nos pegamos abreviando nossas potencialidades,

verdadeiro escambo na busca pela aceitação,

abandonando por completo o que nos completaria,

aquilo que nos promoveria,

o que insanamente buscamos,

sem acreditar ser possível alcançar!

A tão sonhada e perseguida,

chamada paixão, amor e por isso confundida,

és na verdade a simples e mais bela sensação,

a chamada felicidade,

que em lutas espera-se conquistar-se,

sem saber-se que é na simplicidade que realmente,

havemos de encontrá-la,

nos encontrarmos,

se encontrar-se!"


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ANOS ME TROUXERAM

Os anos me trouxeram algumas dores em várias partes de meu corpo, com as quais aprendi a conviver!
Estas dores me recordam permanentemente de que tenho um corpo, instrumento de ação de meu espírito e por isso sou responsável por ele e dele devo cuidar!

Os anos me trouxeram algumas decepções em diversas situações vividas, com as quais compreendi que decepciona-se aquele que cria expectativas e se as cria, é na tentativa - a todo custo - de antever os percalços que o pode desestabilizar - última forma de tentar exercer o controle e o poder.

Os anos me trouxeram a saturação de algumas relações e ações, proporcionado-me o entendimento de que assim como o vinho, as amizades, as relações e os sentimentos necessitam de serenidade, conhecimento e parcimônia para serem bem degustados.

Os anos me trouxeram a certeza de que nos tornamos melhores na mesma proporção em que nos abandonamos, na medida em que corajosamente sufocamos nosso eu minúsculo e terreno, proporcionando assim o renascimento de um EU gigantesco, na medida exata da imensidão Divina - o renascimento de nosso espírito.

A vida e os anos ainda me proporcionarão uma infinidade de experiências e com elas, certamente, uma imensidão de novos aprendizados!

Apenas peço à Deus para que as dores do corpo, as decepções que por ventura ainda sofra, e os resquícios egóicos que ainda possam eventualmente se manifestar, não me impeçam de vivenciá-las!

sábado, 12 de outubro de 2013

CRIANÇA, MESMO QUE PELO PENSAMENTO!

Quando a bola quica
e vejo a velha bicicleta
salta o tempo rijo, carrancudo
o pensamento visita, a demorar-se
velhas lembranças,
tão nítidas,
que com elas traz sorrisos,
sensações que mais parecem verdades reais.

Posso sentir o ralado dos joelhos,
pés descalços a pisar as pedras dos campos de jogo,
espetáculos encenados nas ruas,
que de carros e violência tinham pouco.

Banho de chuva,
Suor da face,
que escorre e a deixa preta,
de poeira misturada com alegria,
a vida que relembro parecia não ter fim.

Doce infância que Deus permite,
pelo pensamento abraçá-la,
como aquele que suspende por um segundo,
seu nariz a respirar fora do mar,
para logo em seguida se afundar,
em águas de desenhos,
brincadeiras,
descobertas,
e amizades verdadeiras.

Como é bom voltar a ser criança,
mesmo que em breve momento,
mesmo que por um único intento,
mesmo que apenas pelo pensamento.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PRAZER E FUGA DO INTELECTO!

Vez ou outra ainda os mantenho abertos,

olhos e mente,

além do costumeiro horário,

venço afazeres, compromissos e responsabilidades,

liberdade precária e intensa,

arrebata-me sem aviso,

arrasta-me ao ópio da reflexão,

sobre tudo, sobre nada, 

sobre o que se desejar,

conflito prazeroso entre copro e alma,

não vejo a hora de te reencontrar,

conflito gostoso, prazer absolvido, 

entre as paredes da fortaleza, 

aquilo que chamamos de lar,

e que nos serve de álibi para toda fuga do intelecto!



FILHOS E PAIS!

Os filhos são do mundo!  

Cabe-nos apenas a boa orientação e fortalecimento de suas asas!

Afinal, elas se desdobrarão e os levarão a ganhar o mundo, mas também, a retornarem, de tempos em tempos à suas raízes.

E que voltem felizes, se reabasteçam e voem novamente!

Afinal, assim também não somos nós em relação à nossos pais?

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ISSO É A VIDA!

A dor parecia arrebentar-lhe o peito, o coração, a alma!

De repente foi surpreendida pelo já mais que anunciado fim do relacionamento.

Quantas vezes vivera este momento em ensaios rotineiros, onde de início sofria como agora, e com o tempo encontrara até mesmo formas e expressões mais dramáticas à serem representadas, verdadeiro laboratório paradoxal que lhe trazia prazer na encenação daquilo que mais temia.

O ser humano é estranho!

Mas agora, em espetáculo vivo de dor, angústia e desconsolo, sentia na carne e na alma, o quão duro era viver este drama! 

Desconhecia o poder da rejeição imposto à seu ego e todas as sensações e sentimentos que disto surgiam.

Desejava morrer, matar, rir de ódio, chorar de amor! 

Correr em meio a todo mundo em direção do nada, onde ninguém se encontra, se possível onde não se encontra nem a si mesmo!

Que sofrimento experienciar este momento! Tão diferente do que imaginava e se propusera a simular tantas vezes!

Não passará! Nunca passará! Será que passará?

Só o tempo dirá! 

E dirá que nada permanece. 

Dirá que tudo se renova e que o novo acontece!

Perceberá com os dias que a vida se refaz para atuações reais e cotidianas. Aquelas que calejam o corpo e burilam a alma.

Reservará energia para quando ela se apresentar inevitável.

Neste dia se certificará que a felicidade mora dentro de si e que ninguém, por melhor que seja, pode ser instituído da responsabilidade de nos fazer felizes.

Novos ares, novas atitudes, novas provas e novas experiências!
Sim, a vida seguirá seu curso. 

O tempo terá remediado a ferida e renovado as energias!

No espelho notará que a velha carne declinou, e que a despeito de algumas rugas ganhas a mais, brilha no olhar uma nova e mais intensa luz!

Isso é a vida! 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

JANELAS

Pequenas gotículas beijam-lhe a face.

O barulho, em ondas invade seus ouvidos.

Uma brisa refrescante acaricia-lhe os cabelos.

Seria perfeito - conclui - se na praia estivesse!

Enfim suspira, pendurado num edifício à lavar janelas.